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As fadas

Agosto 17, 2010

As fadas… eu creio nelas!
Umas são moças e belas,
Outras, velhas de pasmar…
Umas vivem nos rochedos,
Outras, pelos arvoredos,
Outras, à beira do mar…

Algumas em fonte fria
Escondem-se, enquanto é dia,
Saem só ao escurecer…
Outras, debaixo da terra,
Nas grutas verdes da serra,
É que se vão esconder…

O vestir… são tais riquezas,
Que rainhas, nem princesas
Nenhuma assim se vestiu!
Porque as riquezas das fadas
São sabidas, celebradas
Por toda a gente que as viu…

Quando a noite é clara e amena
E a lua vai mais serena,
Qualquer as pode espreitar,
Fazendo roda, ocupadas
Em dobrar suas meadas
De ouro e de prata, ao luar.

O luar é os seus amores!
Sentadinhas entre as flores
Horas se ficam sem fim,
Cantando suas cantigas,
Fiando suas estrigas,
Em roca de oiro e marfim.

Eu sei o nome de algumas:
Viviana ama as espumas
Das ondas nos areais,
Vive junto ao mar, sozinha,
Mas costuma ser madrinha
Nos baptizados reais.

Morgana é muito enganosa;
Às vezes, moça e formosa,
E outras, velha, a rir, a rir…
Ora festiva, ora grave,
E voa como uma ave,
Se a gente lhe quer bulir.

Que direi de Melusina?
De Titânia, a pequenina,
Que dorme sobre um jasmim?
De cem outras cuja glória
Enche as páginas da história
Dos reinos de el-rei de Merlin?

Umas têm mando nos ares;
Outras, na terra, nos mares;
E todas trazem na mão
Aquela vara famosa,
A vara maravilhosa
A varinha de condão!

O que elas querem, num pronto,
Fez-se ali! Parece um conto…
Mesmo de fadas… eu sei!
São condões que dão à gente,
Ou dinheiro reluzente
Ou jóias, que nem um rei!

A mais pobre criancinha
Se quis ser sua madrinha,
Uma fada… ai, que feliz!
São palácios, num momento…
Beleza, que é um portento…
Riqueza, que nem se diz…

Ou então, prendas, talento,
Ciência, discernimento,
Graças, chiste, descrição…
Vê-se o pobre inocentinho
Feito um sábio, um adivinho,
Que aos mais sábios vai à mão!

Mas com tudo isto, as fadas
São muito desconfiadas;
Quem as vê não há-de rir,
Querem elas que as respeitem,
E não gostam que as espreitem,
Nem se lhes há-de mentir.

Quem as ofende…cautela!
A mais risonha, a mais bela,
Torna-se logo tão má,
Tão cruel, tão vingativa!
É inimiga agressiva,
É serpente que ali está!

E têm vinganças terríveis!
Semeiam coisas horríveis,
Que nascem logo do chão…
Línguas de fogo, que estalam!
Sapos com asas, que falam!
Um anão preto! Um dragão!

Ou deitam sortes na gente…
O nariz faz-se serpente,
A dar pulos, a crescer…
É-se morcego ou veado…
E anda-se assim encantado,
Enquanto a fada quiser!

Por isso, quem por estradas
For, de noite, e vir as fadas
Nos altos mirando o céu,
Deve com jeito falar-lhes
Muito cortês e tirar-lhes
Até ao chão o chapéu.

Porque a fortuna da gente
Está às vezes somente
Numa palavra que se diz;
Por uma palavra, engraça
Uma fada com quem passa;
E torna-o logo feliz.

Quantas vezes, já deitado,
Mas sem sono, inda acordado,
Me ponho a considerar,
Que condão eu pediria,
Se uma fada, um belo dia,
Me quisesse a mim fadar…

O que seria? Um tesoiro?
Um reino? Um vestido de oiro?
Ou um leito de marfim?
Ou um palácio encantado,
Com o seu lago prateado
E com pavões no jardim?

Ou podia, se eu quisesse,
Pedir também que me desse
Um condão, para falar
A língua dos passarinhos,
Que conversam nos seus ninhos.
Ou então, saber voar!

Oh, se esta noite, sonhando,
Alguma fada, engraçando
Comigo (podia ser!)
Me tocasse com a varinha,
E fosse minha madrinha,
Mesmo a dormir, sem a ver…

E que amanhã acordasse
E me achasse… eu sei? me achasse
Feito um príncipe, um emir!…
Até já, imaginando,
Se estão meus olhos fechando…
Deixa-me já, já dormir!

Antero de Quental

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Canção do alfabeto

Julho 27, 2010

A(á), Bê, Cê, Dê,

O João lê.

E(é), eFe, Guê, H(agá),

Em todo o livro que há.

I, Jota, Kapa

Assim nada lhe escapa.

éLe, éMe, éNe, O(ó),

E nunca se sente só.

Pê, Quê, eRre, éSse,

Muito sábio que parece.

Tê, U, Vê, W(duplo vê),

Sobretudo quando lê.

Xis, Y (i grego), Zê,

Tudo o que nos livros lê.

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O búzio

Julho 27, 2010

Búzio
Porque tens dentro a voz do mar?
Sentes saudades dele?
Quando te encosto ao ouvido
ouço-o sempre a cantar

como uma ondinha distante
batendo na praia ao luar.

Lília da Fonseca

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A força das palavras

Julho 27, 2010

Juntei várias palavras -
Escrevi um letreiro.

Acendi as brasas -
Que grande braseiro!

Soltei quatro berros -
Armei um berreiro.

Juntando formigas
Fiz um formigueiro.

Será que com carnes
Se faz um carneiro?

Luísa Ducla Soares

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Trocadilho da pulga catapulga

Julho 24, 2010

A pulga catapulga

Cata a pulga,

E pra catá-a

Subiu à catapulta

Onde o guarda quis multá-la.

«Não me multe,

Senhor guarda,

Nem cá suba,

À catapulta,

Pois, não tarda,

Vai estragar a sua farda!»

E lançou-se a pobre pulga

Catapulga

Do alto da catapulta

Pra fugir àquela multa!

«Senhor guarda,

Senhor guarda,

Vá-se embora

Mais a farda!

Que esta multa,

Por inculta,

Há-de ver que não resulta!»

Alexandre Parafita

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Poluição!!

Julho 14, 2010

Encontrei este site com um video interessante sobre a quantidade de plástico que usamos e que polui os oceanos.

http://savemyoceans.com/plastics.php

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Cavalinho, cavalinho

Julho 9, 2010

Cavalinho, cavalinho
Que baloiça e nunca tomba;
Ao montar meu cavalinho
Voo mais do que uma pomba!

Cavalinho, cavalinho,
De madeira mal pintada:
Ao montar meu cavalinho
As nuvens são minha estrada!

Cavalinho, cavalinho
Que meu pai me ofereceu:
Ao montar meu cavalinho
Toco as estrelas do céu!

Cavalinho, cavalinho
Já chegam meus pés ao chão:
Ao montar meu cavalinho
Que triste meu coração!…

Cavalinho, cavalinho
Passou tempo sem medida:
Tu continuaste baixinho
E eu tornei-me tão crescida.
Cavalinho, cavalinho
Por que não cresces comigo?
Que tristeza, cavalinho,
Que saudades, meu Amigo!

Matilde Rosa Araújo

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Loas à chuva e ao vento

Julho 6, 2010

Chuva, porque cais?
Vento, aonde vais?
Pingue…Pingue…Pingue…
Vu…Vu…Vu…

Chuva, porque cais?
Vento, aonde vais?
Pingue…Pingue…Pingue…
Vu…Vu…Vu…

Ó vento que vais,
Vai devagarinho.
Ó chuva que cais,
Mas cai de mansinho.
Pingue…Pingue…
Vu…Vu…

Muito de mansinho
Em meu coração.
Já não tenho lenha,
Nem tenho carvão…
Pingue…Pingue…
Vu…Vu…

Que canto tão frio
Que canto tão terno,
O canto da água,
O canto do Inverno…
Pingue…

Que triste lamento,
Embora tão terno,
O canto do vento,
O canto do Inverno…
Vu…

E os pássaros cantam
E as nuvens levantam!

Matilde Rosa Araújo

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História do Sr. Mar

Julho 6, 2010

Faleceu hoje Matilde Rosa Araújo, em jeito de homenagem aqui deixo uma poesia da sua autoria

Deixa contar…
Era uma vez
O senhor Mar
Com uma onda…
Com muita onda…

E depois?
E depois…
Ondinha vai…
Ondinha vem…
Ondinha vai…
Ondinha vem…
E depois…

A menina adormeceu
Nos braços da sua Mãe…

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Macaquinho do chinês

Maio 8, 2010

Um  dois  três

macaquinho do chinês.

Dois três quatro

vamos todos ao teatro.

Três quatro cinco

já vais ver como é que eu brinco.

Quatro cinco seis

as Marias e os Manéis.

Cinco seis sete

a comer o seu esparguete.

Seis sete oito

no caminho p’ró Magoito.

Sete oito nove

a cavalo numa couve.

Oito nove dez

venha cá Senhor Marquês

está na hora está no mês

para cantarmos outra vez:

Um dois três

macaquinho do chinês!

José Fanha

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