
Dia de Verão. Hora da sesta.
Queres uma festa? – disse a urtiga à mão.
Esta, esquiva, disse que não.
Depois, que sim.
Irra!
E a sesta acabou em comichão.
António Torrado


Dia de Verão. Hora da sesta.
Queres uma festa? – disse a urtiga à mão.
Esta, esquiva, disse que não.
Depois, que sim.
Irra!
E a sesta acabou em comichão.
António Torrado


Parvo, disse o sargo
ao pargo.
Parvo, não. Pargo,
emendou o pargo.
Mas já a rede
o puxava
e o levava
do mar largo
para a costa.
Era mesmo parvo,
concluiu o sargo.
Mas também ele
acabou
cortado posta a posta
e congelado.
António Torrado


Noite – disse o dia.
Chamou. Chamou.
Chorou. Chorou.
Tanto ele a queria
que a noite voltou
e nos seus braços rolou
até ser dia.
António Torrado


Disse a Joaquina ao Joaquim:
De ti para mim
de mim para ti
constipação sem fim.
E os namorados,
sempre abraçados,
continuaram
constipados.
António Torrado


O relógio parou e disse: Acabou-se.
Parei o tempo.
Mas de dentro do relógio
o tempo saltou,
cavalgou, galopou
com dobrado alento
e o relógio ficou
parado
sem tempo.
António Torrado