
Era uma vez um grilito
Que a cantar não tinha fim,
Cantava de noite e de dia
Num canto do meu jardim!
“Gri-gri-gri! Gri-gri-gri!
Que rica vida esta aqui!”
De manhã, de manhãzinha,
Ao clarear o jardim,
Na porta de sua casa
O grilo trilava assim:
“Gri-gri-gri! Gri-gri-gri!
Que raio de frio aqui!”
Mas o sol, primaveril,
Ia subindo e aquecia,
E o grilo, trila que trila,
Era assim ao meio-dia:
“Gri-gri-gri! Gri-gri-gri!
Já me queimo todo aqui!”
Mas nem assim se calava,
Tinha aquela devoção;
E, chegado o pôr-do-sol,
Já era assim a canção:
“Gri-gri-gri! Gri-gri-gri!
Não tirem o sol daqui!”
Depois a noite caía,
Lenta e triste no jardim,
E o grilo, lá no seu canto,
Já só praguejava assim:
“Gri-gri-gri! Gri-gri-gri!
Que escuridão faz aqui !”
E noite fora o cantor,
À espera de um novo dia,
A contar todas as horas
Resistia, resistia…
“Gri-gri-gri! Gri-gri-gri!
Gri-gri-gri! Gri-gri-gri-griiii!”
Alexandre Parafita