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A história das portas

Maio 12, 2011

A porta da rua

fecha-se devagar

Faz mu-num…mu-num,

porque é muito pesada

e está cansada.

A porta do elevador

tem voz áspera

porque nunca bebe óleo

à vontade.

- Ráade! – diz ela ao miúdo

- Fecha a grade, fecha a grade!

A porta do quarto

é uma porta sossegada,

faz fe-fe muito baixinho

e se puder não diz nada.

A porta do quarto de banho

está emperrada e tem tosse,

Quando a empurram

fica zangada!

- Ó senhora porta,

não foi de propósito…

- Fosse ou não fosse,

fosse ou não fosse!…

A porta da sala

gosta de nos ver entrar

e quando a gente sai,

chora:

- Sss-ss, não te vás embora.

- Zás!

Faz a porta da cozinha,

muito despachada.

Com mais força

só a porta do frigorífico

que já engoliu hoje

uma galinha assada,

um ananás

e um goraz.

Ao quarto do sótão

ninguém se lembra de ir

e a porta estala e fala sozinha:

- Truem, truem,

Truem- truir…

Os ratitos pequenos

passam a fugir

e lá dentro

só vai o vento.

 

Violeta Figueiredo

 

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