
o bom verdureiro
vende verduras verdes
não verduras duras
Ricardo Silvestrin


A escrita
já tinha sido inventada.
Todas as letras,
as sílabas, as palavras.
Mas houve uma fase
em que escrever uma frase
estava causando
a maior confusão.
Tudo porque ainda não existia
O ponto de interrogação.
Alguém escrevia
por exemplo
qualquer coisa besta
como “Hoje você vai à festa”
e recebia como resposta
algo assim:
“Você não manda em mim”.
E logo tinha que esclarecer:
“Sua anta, isso era só uma pergunta”.
Pronto, virava uma briga
só por causa do ponto.
Até que alguém se deu conta
que quem pergunta
não apenas fala,
mas também escuta.
Então deu na sua telha
de colocar sobre o ponto final
o desenho de uma orelha.
Já prestou atenção?
Tem uma orelha
no ponto de interrogação.
Ricardo Silvestrin


Nessa mata ninguém mata
a pata que vive ali,
com duas patas de pata,
pata acolá, pata aqui.
Pata que gosta de matas
visita as matas vizinhas,
com as suas duas patas
seguidas de dez patinhas.
E cada patinha tem,
como a pata lá da mata,
duas patinhas também
que são patinhas de pata.
Sidónio Muralha


É branca a gata gatinha
é branca como farinha.
É preto o gato gatão
é preto como carvão.
E os filhos, gatos gatinhos,
são todos aos quadradinhos.
Os quadradinhos branquinhos
fazem lembrar mãe gatinha
que é branca como a farinha.
Os quadradinhos pretinhos
fazem lembrar pai gatão
que é preto como o carvão.
Se é branca a gata gatinha
e é preto o gato gatão,
como é que são os gatinhos?
- os gatinhos eles são,
são todos aos quadradinhos.
Sidónio Muralha


A girafa,
girafa gira,
gira girafa girou
que de tão gira
a girafa
com este nome ficou!…
Matilde Rosa Araújo


Caiu-me um dente,
mesmo à frente
quando trincava uma semente.
Por causa desse incidente,
a minha mãe deu-me um presente,
eu fiquei muito contente.
Coisa surpreendente,
apareceu outro dente,
de repente!
Lara Caineta (9 anos)

“Numa folha qualquer
Eu desenho um sol amarelo
E com cinco ou seis rectas
É fácil fazer um castelo…
Corro o lápis em torno
Da mão e me dou uma luva
E se faço chover
Com dois riscos
Tenho um guarda-chuva…”
Aquarela, Toquinho, Vinicius de Moraes e outros